Trecho da Semana

Busco um instante feliz
que justifique minha existência.
Dostoievski

segunda-feira, 28 de maio de 2012

AnoHana


Hoje vou falar sobre um anime que assisti a pouco tempo, mas que me cativou imensamente. Ano Hi Mita Hana no Namae o Bokutachi wa Mada Shinarai (Nós ainda não sabemos o nome da flor que vimos naquele dia) ou simplesmente AnoHana retrata a história de seis amigos (Menma, Jintan, Poppo, Anaru, Yukiatsu e Tsuruko) de infância que se autointitulavam os justiceiros da paz. Após a morte de um deles, as boas recordações da infância deram lugar a essa única lembrança trágica e eles passaram a seguir por caminhos diferentes a ponto de nem se falarem mais.
Poucos anos após o acidente, Menma, a menina que havia sofrido o acidente e morrido, aparece para Jintan e pede que ele a ajude a realizar seu desejo para que ela possa cumprir seu destino. Para isso, ela diz que ele precisa reunir a turma novamente. No entanto, não será uma tarefa fácil já que cada um deles carrega um fardo de culpa e mágoa pelo que aconteceu com Menma naquele dia. 


Apesar dos cinco amigos afirmarem que seguiram em frente, vamos percebendo, à medida que a história vai se desenrolando, que nenhum deles conseguiu superar o passado e que este moldou completamente a pessoa que cada um deles se tornou. 
Nesse ponto, descobrimos que a história é mais do que realizar o desejo de Menma. É, sobretudo, sobre o processo de cura, de cicatrização, da ferida que tanto os marcou e para desatar esses laços com o passado eles precisam realizar esse desejo. Pois, somente, assim poderão enfrentar o que aconteceu naquele dia e os seus próprios fantasmas.


Com um enredo simples, AnoHana trata das recordações de infância dos cinco jovens restantes e da oportunidade dada a eles de consertar os erros do passado de uma forma que nos faz recordar os amigos que tivemos e que ficaram perdidos ao longo do caminho que trilhamos, e que nos faz desejar uma chance de consertar as curvas que fizeram com que nos afastássemos sem que para isso precise ser mudado o passado, bastando apenas entendê-lo.


Dessa forma, AnoHana é um anime que fala sobre a importância de desatar os laços que nos amarra ao passado pois todos temos algo que gostaríamos de mudar, seja uma oportunidade perdida ou uma promessa desfeita, e que, por não ter sido devidamente tratada, influencia totalmente nossas ações do presente. 

Sinceramente, não sei o que AnoHana tem de tão bom que me fez gostar tanto da história e perdoar um ou outro defeito. Confesso que a trilha sonora, a forma como os personagens foram aparecendo e o desenrolar da trama, ajudaram a fazer deste anime único para mim.

=*=
Eu nunca vou esquecer as esperanças 
E sonhos que dividimos no final daquele verão
Eu tenho certeza que nos encontraremos de novo 
Em outro agosto, talvez dez anos depois.
Eu pude sentir o seu caloroso agradecimento até o final
E eu sei que deve ter sido difícil segurar as suas lágimas 
E dizer adeus com um sorriso
Porque aquelas foram as minhas melhores memórias.
Secret Base - Kimi Ga Kureta Mono (Zone)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sempre é mais escuro antes do amanhecer


Descobri que não é fácil fugir das lembranças, pois, de alguma forma, elas estão sempre virando presente. Seja através do som de um risada, de um rosto na multidão, de um tom de voz semelhante ou de um cheiro solto no vento, há sempre algo recordando o passado. 

Por mais vontade que eu sinta de apagar os momentos que vivi e que hoje doem ao serem lembrados ou de voltar e terminar o que não acabei, eu sei que não há como realizar tais desejos.

Talvez eu só precise perdoar as promessas quebradas, continuar a acreditar no amanhã, sobrepor os momentos ruins pelos bons, parar de pensar no que poderia ter acontecido se eu tivesse tido uma segunda chance, aceitar meus erros e desculpar as mentiras.

Talvez eu só precise lembrar corretamente, pois os momentos em que eu ri foram maiores do que aqueles em que chorei, as lembranças das pessoas que partiram reparam um pouco a dor da perda, as confusões em que me meti por causa dos meus erros compensaram a falta de segundas chances e as tentativas de alcançar meus sonhos - ainda que eu não tenha sido capaz de realizar alguns - equilibraram as promessas rompidas e mentiras acreditadas.

Possivelmente há momentos no meu passado que não foram vividos como eu gostaria, momentos que eu desejaria poder recontar, mas eles não podem ser mudados ou apagados. Então, eu tenho de aprender a viver com as minhas memórias tal como elas são.

Não posso deixar que elas interfiram diretamente com o que eu estou vivendo hoje. Não penso deixar que as incertezas, os medos, as angústias, as saudades, os remorsos, me impeçam de enxergar o amanhã que está por vir, pois sempre é mais escuro antes do amanhecer.

=*=

Do que você quer fugir? Dessa coisa chamada "realidade"? 
Eu só quero gritar: "Eu só estou vivendo para cumprir meu desejo".
Você pode me escutar? 
Eu não posso seguir a forma mais segura para tudo.
(...)
Estou pensando como abrir a próxima porta
Já começou as aventuras que não poderão ser voltadas.
Abra os olhos, Abra os olhos!

Again - Yui

domingo, 20 de maio de 2012

Até o Fim

Mas eu não vim até aqui
Para desistir agora .
Voando sem instrumentos
Ao sabor do vento
Se depender de mim
Eu vou até o fim (...)!
Até O Fim - Engenheiros do Hawaii 


Andei pensando no motivo que me faz bater tantas vezes na mesma porta: se é por causa da minha determinação ou fruto da minha teimosia. Há quem diga que teimosia e determinação são a mesma coisa, no entanto, não tenho tanta certeza disso.
Penso que seria determinação se houvesse a mínima chance de se obter um resultado, por menor que fosse, entretanto, depois de tanto tempo golpeando a mesma porta, ainda não houve nenhum. Nenhum estremecimento, nenhuma rachadura, na madeira que a compõe. Nada. Nada que me faça ter a certeza de que essa porta irá abrir em algum momento. 
Então, creio que continuo batendo por pura teimosia. Por falta de vontade de admitir a derrota ou de perseguir novos objetivos. Digo a mim mesma para olhar ao meu redor, pois talvez tenha um outra porta mais fácil de abrir ou uma janela já aberta. No entanto, sempre que tento fazer tal movimento sinto um aperto no peito, como se algo me dissesse para insistir mais uma vez. Talvez seja apenas impressão, mas eu não consigo desistir desse objetivo. 
Estou cansada de lutar, embora eu continue golpeando. A vontade de desistir, de mudar de porta, de procurar uma janela, aparece, entretanto, eu continuo insistindo. Talvez tenha algo de errado comigo. 
Pessoas como eu, sejam elas teimosas ou determinadas, deveriam saber quando parar. Deveriam ser capazes de perceber que, algum dia, os pulsos de tão feridos que estarão, não mais serão capazes de funcionar. Ou, no mínimo, saber interpretar os sinais fornecidos, para compreender se vale ou não a pena ser tão persistente. 
De qualquer forma, eu sei que não importa como os sinais dados são interpretados ou se os meus pulsos doem, eu irei continuar correndo atrás do meu sonho. Irei ser ainda mais insistente, se necessário. Pois, de alguma forma, eu sei que um dia – não me importa se parece distante ou se terei que sacrificar o movimento de um braço ou dos dois – a porta irá abrir e, ao final, o que tem do outro lado irá compensar toda a minha trajetória.


=*=

Conta-se que alguém perguntou a Thomas Edison, o inventor da lâmpada elétrica, se ele, desanimado por todos os seus fracassos, não pensou em desistir. E ele respondeu: "Aqueles foram passos do caminho. Em cada tentativa, eu encontrava um modo de não criar a lâmpada elétrica. Eu estava sempre disposto a aprender, mesmo através dos meus erros".